domingo, 27 de junho de 2010

Um

Isto aqui é mais uma válvula de escape que qualquer outra coisa... Preciso colocar tudo para fora. Também não quero esquecer dos detalhes... Meu lado sensitivo não permite.
Começo com três sonhos que tive, o primeiro deles tendo surgido há um ou dois meses, o segundo, há uma ou duas semanas, e o último, hoje.

Primeiro sonho
Não lembro de nada que anteceda ou suceda essa parte: eu estou em um navio viking (isso sendo obviamente influenciado pela minha obsessão por vikings) que acaba de ser lançado ao mar. Não havia nenhum tipo de porto onde ele possa ter sido ancorado antes disso. Lembro de olhar para trás e ver apenas a praia, a uns 60, 80 metros de distância. Eu estava com outras pessoas no barco, embora não lembre particularmante de nenhuma delas, e a impressão que tive foi a de estarmos fugindo. O mar sob o barco era absurdamente negro e estranhamente calmo, e o céu acima de nós era nublado, amarelado e feio... Quase como em uma cena do filme "300". Recordo-me que esse detalhe em particular me deixava inquieta.
As pessoas no barco sentiam medo, estavam apavoradas. Elas acreditavam desesperadamente em uma saída, em uma forma de fugir. Eu não. Tudo o que passava pela minha cabeça era que não havia escapatória. E não era um pensamento pessimista... Era algo que eu sabia. Um fato que eu via claramente, algo prestes a ser consumado. O mundo ia acabar.
Eu estava encolhida num canto do barco, quieta, tranquila, e observava o caos se alojando entre nós. O contraste entre a atmosfera dentro do barco e a calmaria traiçoeira do mar chegava a ser ridículo. De repente, senti que deveria olhar para o outro lado. Virei o corpo para a direita e para trás, e pude ver um homem vestido de preto dos pés a cabeça, cavalgando um cavalo mais escuro que o mar. O mais bizarro é que ele não cavalgava na praia, mas sim no mar. Sobre a água. Não pude ver o momento em que ele surgiu e de onde, mas virei a tempo de vê-lo em cima do cavalo, empunhando uma espada, atrás do barco, a alguns metros para a direita, e em seguida ultrapassando-o, para logo depois observá-lo enquanto ele desaparecia no ar. Senti muito medo, mas não por mim... Pelos outros. Acordei.

Segundo sonho
Eu não estava lá, mas pude ver, de alguma forma, um cenário azulado cheio de nada, completamente dominado por neve, como um deserto ao contrário. Em algum lugar no meio da neve, vejo um punhado de árvores negras e mortas, e na frente delas, o mesmo homem do sonho anterior, mas dessa vez, somente ele. Ele segurava a mesma espada de antes e tinha a cabeça baixa. Parecia cena de filme. À medida que o meu ponto de vista se aproximava do homem, ele levantava a cabeça e olhava para a frente. Pude ver que ele sorria satisfeito, porém maldosamente... Não abriu a boca, mas era como se ele estivesse dizendo, "missão cumprida." Acordei.

Terceiro sonho

Definitivamente o mais estranho dos três. Mesma paisagem de neve que o anterior, mas sem as árvores mortas. O tom azulado deste sonho era mais ameno, menos pesado. No meio do deserto de neve, dois contêineres enormes de madeira estavam posicionados lado a lado, e alguém, ou algo, abriu o que estava à direita. Imediatamente, o cenário muda por completo, e vejo à frente uma parede de azulejos cor de creme, a alguns metros de distância. Nessa parede, havia um buraco fundo no formato de um corpo de homem de estatura mediana, um pouco baixo, até... O detalhe que mais chamava a atenção era a parte da cabeça do homem, no buraco. Podia-se ver que ele possuía grandes chifres.
Ainda a respeito do buraco: ele estava "queimado", preto, e no fundo dele havia algo semelhante a uma pasta bem grossa, que me lembrou a lava de um vulcão. Eu apareci nessa hora, e tentei desesperadamente tapar esse buraco com uma substância cremosa que parecia cimento, embora não fosse exatamente isso. Eu sabia, entretanto, que qualquer coisa que eu fizesse de nada adiantaria. A impressão que tenho é a de que o buraco, na verdade, era um portal que estava se abrindo. Acordei.